Os muros são altos por uma questão não só de privacidade, mas também para evitar que venha alguém e roube o que se cultiva.
Os poços são umas piscinas naturais de água salgada que se encontram rodeadas por rochas. Nao só em seu redor bem como o fundo das mesmas. Nadamos com caranguejos, pequenos peixes que nos vêm saudar as pernas e com peixes de maior porte que se lembram de saltar da água.
As visitas são um hábito açoriano que consiste em visitar os que nos são próximos. Transcede uma ida a casa de um amigo, uma vez que se o faz quando as pessoas (visitantes) não habitam na ilha ou quando acontece um evento importante e o visitante tem que o ir dizer aos outros. Não o diz como se auto bajulasse, mas sim para anunciar uma boa nova ou para partilhar novidades. Cá o visitante não espera pelo convite do visitado. Este oferece-se a ir a casa do visitado levando algo típico de onde vem ou então um docinho para acompanhar com um café e pelas palavras dos visitados. Aqui toda a gente abre a porta e a cara, isto é, oferecem-te um sorriso sempre. Oferecem-se inclusivamente a eles, o seu tempo, o seu trabalho.
As piadas recorrem muito pouco ao sarcasmo, que é tão usual nas nossas tristes vidas citadinas. Não digo que as pessoas sejam puras, mas bmpregam expressões que te fazem sentir abraçada e embalada. Coisas como nã queres levar este pequêne côntigo p’rô côntenente? entã e esta cad’linha que ‘inda traz má’s três cô’ela? ou piadas sobre matanças de porcos, ordenhar as vacas, os cães que saltam…..
Encontram-se muitos tipos de pessoas, classes sociais que coexistem num mesmo espaço, não interferindo uns com os outros, saudando-se sempre, tratando seja quem for como um igual, seja este um pescador ou o dono de uma quinta.
O tempo é constituído por uma névoa constante, por uma humidade que se cola à pele fazendo-nos sentir sempre melados, fom um sol que se esconde atrás das nuvens e com uma chuvica que cai quando estamos a mergulhar nos poços.
Os cães, já velhinhos, gostam de te saltar para cima e arranhar-te, tentado ao mesmo tempo abocanhar-te as mãos. Não gostam das pulseiras.
As pessoas da minha idade (e não só) são tão hospitaleiras e acolhedores (mas não num sentido sufocativo) que bastou apenas duas horas com poucas trocas de palavras entre nós, pois os mais velhos estavam falando, para receber um convite para ir amanhã ao cinema e visitar o shopping.
(Açores pt. II)

Wednesday, July 30, 2014

Chego aos Açores e sou recebida por uma torrencial chuva. Já o piloto teve que andar às voltas, a queimar querosene, uma vez que a intensidade da chuva era tal que comprometia a aterragem do avião. Mesmo assim, quando descemos para terra, as lizes de emergência foram accionadas com um nervoso plim. Graças a Deus que não foram necessárias!
Ponta Delgada tem um aeroporto muito pequeno. O aeroporto João Paulo II se não me engano. Não recebe só vôos nacionais, há bastante gente que vem das américas (tal como aqui se diz) ou então de outros pontos da Europa.
Para além da chuva, fomos recebidos por dois tios: António e José. Acharam-me muito alta (para variar) e disseram-me que tinha um completo ar de estrangeira. Acho que engoliram.moderadamente bem a cor do meu cabelo.
Por cá os cheiros é o que mais me intriga por serem tão diferentes dos que me são usuais. Há um constante cheiroba humidade que transcende o habitual cheiro de chuva a molhar o chão; um cheiro a mofo devido a excesso de humidade; um cheiro a produtos da terra, cultivados por cada família; um cheiro a gente hospitaleira.
Estou cansada. O meu dia, segundo o actual relógio, tebe vinte-e-quatro horas, quanto na verdade já conta com vinte-e-cinco. Está na hora de zerar o relógio-
(Açores pt. I)

Monday, July 28, 2014
When white turns silver with some purple/rose/dark blond lights.

When white turns silver with some purple/rose/dark blond lights.

Saturday, July 26, 2014

Despeço-me por hoje, já com a garganta a arranhar, após tanto uivar.
Lamento pelo spam, mas daqui a uns tempos isto é-me delicioso ler.

When white turns yellow-

When white turns yellow-

Se procuras me ler é porque te interessa interpretar-me, nem que seja para saber como estou,
mas como te poderei desvendar se te escondes através de respostas monossilábicas e recusas qualquer contacto visual?

uivos nocturnos para B. V

Branca: Pergunta do dia: suspirar versos é sinal de se padecer de alguma doença (grave)?
A. B.: Lamento, mas sim, das mais graves até. Com alguma sorte é apenas um virus passageiro, nao temas.

Continuo a querer-te. Todos os dias de maneira diferente, mas em que todas elas convergem para o seguinte ideal: quero-te para viver contigo;
para termos um cão e o levarmos a passear, de mãos dadas e transbordando calma;
para chegar a casa, estafada, e ter alguém que me saude com um mimo e interesse pelo meu dia; para ser bem acolhida seja em que divisão da casa for;
para cozinharmos juntos, sempre a brincar;
para andarmos esfarrapados, pelas ruas de alguma zona ou pelo campo, não nos importando com o que a sociedade em redor quer de nós;
para me seres um refúgio e amparo nos naus momentos e que saibas lidar com eles, já que são tão periódicos como uma função trigonométrica;

Em troca,
Em troca dar-te-ei todo o pouco que tenho e que sou.
É tudo o que tenho para dar.

uivos nocturnos para B. IV

Tento expelir-te,
pois és como uma agulha de pinheiro que se espetou na mão.
Dói, arde e inflama a zona onde se encontra,
mas (esta é chata!) não sai.
(E) eu até já me começo a afeiçoar a ela (!)
enfabulando a dor que me provoca, de tal maneira que as lágrimas que verto por ela, constituem o doce divino.
Aquele que consola qualquer gula e fome.
Aquele que aumenta o buraco que há dentro de mim.

uivos nocturnos para B. III

E eu reteso-me:
Porque acabo sempre por acabar os dias nesta circunferência, como um cão que já ao morder a sua cauda, continua a correr atrás dela?
Se pudesse limpar a minha memória de ti em troca de qualquer dor física,
todo o meu corpo já haveria sido coberto por cicatrizes.
(mas tal não produz o efeito desejado)

uivos nocturnos para B. II

Espero-te.
Indefinidamente e à minha maneira.
A bipolar, segundo me descreves.

uivos nocturnos para B. I

Friday, July 25, 2014

Ainda continuo sem saber como lidar com o cabelo loiro, mas felizmente amanhã já vou tingi-lo para algo entre o cinzento e o violeta (claro).

O meu pai já está mais calmo, menos irritado quanto à cor, embora que não sai comigo se eu não estiver com um lenço na cabeça, de modo a tapar o cabelo na íntegra.

Eu já lhe disse que a cor objectivo/final não é o loiro-amarelo que agora tenho.

Quanto à minha mãe, quase chorou quando me viu loira, mas actualmente está também mais receptiva e até me vai ajudar amanhã no processo de tingir.

Ninguém cá em casa gosta do amarelo com que ele está.

Tuesday, July 22, 2014

Gettinh blond.
Getting dumb.

Sunday, July 20, 2014

17 de Julho, exame de física-química, segunda fase:
Encontrei-me com o Chibanga e fomos até à Baixa procurar os óculos mais folclóricos que conseguíamos encontrar, mas que pudessem ser utilizados com alguma regularidade sem vergonhas.
Após quase derretermos no passeio, fomos até ao Hospital, visto que é o melhor sítio para se buscar cartão. Existem contentores enormes com caixas de cartão aonda intactas, apenas não no seu formato de caixa.

Cortejos parte III

Misteriosamente, sinto demais a ausência de ti. Seduzes-me sempre que não estás, mas estás. Os nossos corpos de forças interagem pelas ruas da cidade de pedra. Os olhares aduladores não resistem à vizinhança dos varandins paralelos. Desenhámos órbitas celestes ao sentirmo-nos reciprocamente sós. A voz de mim em mim ecoa quebrando as recordações do futuro em estilhaços para sempre perdidos. Desaparecem por um túnel escuro em busca de desilusões à luz de sentimentos inócuos, apoderando-se do sangue rubro que aperta a carne ao osso chupado desde a medula. Sobrevivo à custa da linguagem técnica da tipografia. Gravo na pedra dissimulações rugosas de visões da pele lisa que despes quando oras aos deuses. Já completo de perenidade mata-me depressa com teus cutelos dentários. Depois do fim, passa suavemente os lábios sobre as feridas que me rasgaram. Purifica essa passagem inaudível do tempo. Escuta os rios inadiáveis dos sossegos.

L.

 
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