Ode para o fututo

(…)
Uma angústia delida, melancólica, sobre ela sonhareis.

E as tempestades, as desordens, gritos,
violência, escárnio, confusão odienta,
primaveras morrendo ignoradas nas encostas vizinhas, as prisões,
as mortes, o amor vendido, as lágrimas e as lutas,
o desespero da vida que nos roubam - apenas uma angústia melancólica,
sobre a qual sonhareis a idade de oiro.

E, em segredo, saudosos, enlevados,
falareis de nós - de nós! - como de um sonho.

Jorge de Sena, in ‘Pedra Filosofal’

A noite chega e com ela traz a lua, em quarto crescente. Sinto os meus olhos inchados. Contudo, hoje, prometo que me controlarei. Dominarei o lobisomem que há em mim. Creio já ter feito merda que chegue ontem.

Acordo com os primeiros raios de luz e, apesar das poucas horas de sono, sinto-me bem. Capaz de estar em família, dar umas gargalhadas, dizer algo menos acertado de quando em quando (…) nada semelhante ao meu estado à noite. E ainda bem.
Hoje vou apanhar amêndoa com os meus tios. Vou torrar ao sol, mas não me importo. O prazer que obtenho do trabalho de campo compensa isso mesmo.

Sinto o interior dos ossos gélido e a latejar. Não consigo respirar decentemente. Ou hiperventilo como duma arritmia se tratasse ou simplesmente não respiro. Prefiro não respirar. Não o quero fazer mais esta noite.
Não consigo. Os instintos de sobrevivência impedem-me de o fazer. Mas era só esta noite, depois tudo ficaria bem.

Friday, August 29, 2014

E continua.
E dói-me o estômago.
E o gémeo, da perna, tem espasmos.
E uma lágrima surge no olho esquerdo.
E o ventilador dá um estalo, completando uma rotação.
E o cabelo esvoaça.
E a lágrima principia a secar.
E a placa de plástico incomoda-me.
E eu quero continuar a ver mais sinais de felicidade em ti, enquanto estiveste fora,
porque quanto mais feliz aparentas estar,
mais lágrimas surgem e caem, desamparadas, sem saber para onde vão nem porque continuam a aparecer.
E desta vez uma inspiração pela boca foi demasiado forte.
E mais uma nuvem negra carregada de chuva tende a aparecer.
E eu odeio as noites porque é a parte do dia em que estou mais suscetível, menos distraída, quando tenho maior disponibilidade para pensar,
E pensar destrói-me. Sempre o fez.
E quando choro recordo-me da vez em que estava na cama (mais uma vez) a verter lágrimas (não me lembro já da razão), de costas para ti e tu te assustaste. Não sabias ainda o quão anormal eu era. Mas eu havia-te prevenido e tu insistias, parecendo não te importares com isso.
E eu entreguei-me. Tirei quase todas as minhas inúmeras amarras, que agora tanta falta me fazem, e fui andando, vivendo uma situação que se invertia dia após dia: o teu fascínio por mim diminuia e o meu por ti aumentava.
E eu ficava frustrada e dizia que não a tudo, quando na verdade apenas queria calor humano, mesmo que estivesse alagada em suores e com uma insolação.
E o corpo parece que tem convulsões.
E o encolho-me o máximo que posso.
E o nariz enche-se de ranho.
E eu continuo a odiar as noites por isto.
Por não saber o que fazer.


uivos nocturnos para B. pt. VI
Thursday, August 28, 2014

Se pudesse,

metia-te na minha caixa, embutida, de ninfitas:

as raparigas que não merecem ser (mal) tocadas por rapazes,

que por muita porcaria que (se) faça(m), parecerão sempre intocáveis e radiantes,

 que quer queiram quer não, carregarão sempre a seus ombros um fardo invisível aos olhos de outrem, comuns e desprezíveis humanos,

embora os seus olhos emitam sempre magias que deslumbram e despertam a curiosidade alheia.

São raparigas que me fazem lembrar um episódio de Mushishi, um anime, em que surge uma rapariga que se vai gradualmente tornando mais translúcida (devido a assuntos de vida, creio), que acaba inteiramente por desaparecer. Ou voar. Não me recordo se ficava cada vez mais transparente ou mais leve.

Mas revejo-te nela,

e receio.

Promete-me que não desapareces daqui para fora! Nem fisicamente, nem mentalmente, nem socialmente.

Com muito afecto e sempre te esperando

-

O bom café que mata saudades.

O bom café que mata saudades.

Wednesday, August 27, 2014

E hoje,

hoje sinto-me no cume da vida.

Vejo-me bela e interessante por uns olhos que não costumam ser os meus.

Sou uma flor que dá graças à Primavera!

Vivo os meus dezoito anos e sinto que sim, que daqui a mais alguns anos começarei cada vez mais a deteriorar-me, pelo menos fisicamente. É assim mesmo. Vivemos cerca de oitenta/cem anos, mas o nosso apogeu continua a ser entre os dezoito e os vinte-e-cinco.

E hoje,

hoje sinto isso a correr-me nas veias.

E gosto.

Tuesday, August 26, 2014

youngestindie:

 Symmetry - Mew

But my words are frail, not audible

They do not even convince me

Perhaps they are untrue

Ouvindo Mew e enchendo a cabeça de spam platónico muito choramingas.

como detesto tretas que mexem com sentimentos

I’m so glad that you prefered my company to his/theirs!
Thank you F ♡

Soubesses tu o quanto (ainda) me custa saber que muito te divertiste (sem mim), em terras germânicas, de tal modo que não te importarias de te mudar para lá, definitivamente, tendo apenas como base empírica a tua fraca vivência de cerca de meio mês. Na verdade o que me custa é ver-te mudar. Tão rapidamente e em tão pouco tempo para alguém que não sabia existir dentro de ti. Tento não te querer e deixar afluir a tua presença nas águas da minha mente, mas a teoria sempre foi (aparentemente) mais fácil que a prática.

Monday, August 25, 2014

Tenho uma enorme curiosidade sobre o que escreves no teu blog,

o quão mal dizes de quem te magoa (e que não queres admitir que sangras),

como consegues conciliar um amor que não é correspondido com uma amizade, onde tentas consolar as tuas carências e encontrar aquilo que não te querem oferecer por imaturidade.

Mas afastámo-nos e por muito que não se queira haverá sempre um buraco entre nós. Poderemos saltá-lo quando estamos juntas, mas ele permanece no seu sítio.

Já não há um à vontade, segundo o qual me contarias o que a tua cabeça magica, sem ter de insistir nos assuntos. Continuas a contar-mos, mas tenho de gastar a minha fraca lábia para obter algumas das tuas palavras.

Anonymous:
pdc ;_____;

Agora resta-nos apenas ars boas recordações e esperar por um eventual regresso a coura.

Gostaria que saísses de anónimo de modo a podermos debater a semana bonita que se passou. De qualquer maneira,

os meus melhores cumprimentos!

Um imortal adeus ao meu aparelho superior.

Um imortal adeus ao meu aparelho superior.

Sunday, August 24, 2014

Aproveito os instantes que me restam deste verde excessivo, em muito diferente do dos Açores e em nada comparado aos amarelos monótonos existentes na minha região, para banquetear os meus olhos.
Digo adeus ao norte e um olá ao sul. Não ligo ao centro, em acto de birra, pois em breve prolongarei por lá a minha estadia.
(Setembro já começa a querer despertar)

 
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